Futebol das beiras-Depois de tantos desafios, agora ser o novo técnico da
Sampedrense é mais um desafio aliciante?

FB-Como analisa os adversários possíveis neste campeonato, mais parece uma 3ªdivisao nacional?
Tótá-Vai ser sem dúvida o
campeonato mais forte das últimas décadas. Basta reparar que desceram ao
campeonato distrital as 5 equipas que militavam na terceira divisão nacional (
Mortágua, Penalva do Castelo, Oliveira de Frades Sampedrense e Parada). Se a
estas equipas incluirmos mais 6 ou 7 que já estavam neste campeonato, e não
nomeio qualquer uma delas para não ferir suscetibilidades, verificamos que este
ano a maior parte das equipas terão argumentos muito fortes para disputar os
lugares cimeiros da classificação, mas apenas uma sairá vencedora.
FB-A nivel de plantel certamente devido á crise vai apostar na formação da região?
Tótá-Penso que na conjetura
atual, quem não pensar assim terá os seus dias contados, pensando nos
resultados no imediato mas sem argumentos para o futuro. Nós não iremos fugir à
regra e vamos apostar não só em jogadores da região, como fundamentalmente em
“jovens” da região. Conforme disse, este não é um projeto para esta época, é um
projeto a médio longo prazo e a sua base carece sem dúvida de jovens atletas.
No entanto é a simbiose entre a veterania e experiência por um lado e a
juventude e irreverência por outro que dá a este plantel a qualidade suficiente
para lutar pelos lugares cimeiros.
FB-Já trabalhou no distrito da Guarda e Viseu, que diferenças?
Tótá-A principal diferença
entronca na enorme diferença de competitividade entre ambos os campeonatos. O
que verificamos ano após ano no campeonato distrital da Guarda, é que existem
apenas duas no máximo três equipas a disputar o primeiro lugar e o nível da
maior parte das restantes equipas não torna o campeonato competitivo, enquanto
que no campeonato distrital de Viseu o nível das equipas é mais equilibrado,
existindo mais equipas a disputar os primeiros lugares e as restantes têm
planteis que permitem disputar de igual para igual todos os jogos tornando
assim o campeonato muito competitivo e conforme referi anteriormente este ano
existem cerca de 10 equipas com capacidade para lutar pelo primeiro lugar.
FB- No distrito da guarda paira a ideia de extinguir a 2ªdivisão distrital e apenas ficar a 1ªdivisão mas em duas series?
Tótá-Espero que tal não aconteça,
pois se atualmente o campeonato é nivelado por baixo no que à qualidade das
equipas diz respeito, surgindo duas séries por um lado e a presença das equipas
da atual 2ª divisão por outro, tornaria o campeonato ainda mais fraco com menos
competitividade, e logicamente as assimetrias seriam maiores.
FB-Ser treinador é sempre uma tarefa ingrata , mas a paixão é mais alta?
Tótá-Claro. Sem paixão não se
pode ser treinador. O trabalho é avaliado pelos resultados e não pela qualidade,
é avaliado só ao domingo, esquecendo os restantes dias de trabalho. É a
contranatura do futebol, não espelhada numa célebre frase de Henry Ford “Qualidade
significa fazer certo quando ninguém está olhando.”
FB- Como terminus da 3ªdivisão, aparece agora o nacional de seniores como vê essa nova realidade?
Tótá-Sou bastante cético, no que
aos novos moldes do novo campeonato nacional de futebol diz respeito. Se antes,
as equipas que transitavam dos campeonatos distritais para a terceira divisão
nacional sentiam dificuldades de adaptação competitiva, imaginem agora
transitar diretamente para um campeonato nacional onde, para além de
defrontarem as equipas mais fortes da anterior segunda divisão, podem também encontrar equipas que no ano
anterior estavam na liga profissional. No que diz respeito ás Associações distritais
de futebol, se na da Guarda esta alteração não se faz notar pois continua
apenas com uma equipa nos campeonatos nacionais, na de Viseu o rombo foi
enorme, pois todas as equipas que militavam no campeonato nacional da terceira
divisão passaram aos distritais e foram
5, equipas essas que há longos anos permaneciam nos nacionais e tão cedo não
voltarão.
FB-que objetivos tem para o futuro no futebol?
Tótá-Não tenho. No futebol só
existe o presente.
fonte:António Pacheco